sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Medicamentos Retirados do Mercado



O tema dos medicamentos retirados do mercado ilustra a reportagem de capa da revista Veja desta semana e introduz uma indagaçâo a respeito do quão eficientes são os mecanismos de controle das agências que regulam a introduçâo de novos medicamentos no mercado. Segundo a revista, " a produção de um remédio é um processo longo e caro. Só a indústria americana investe mais de 50 bilhões de dólares por ano em desenvolvimento de medicamentos. Ao chegar às farmácias, um remédio terá custado algo em torno de 1 bilhão de dólares e consumido em média dez anos de investimento. Isso significa que o fabricante tem apenas outros dez anos para vendê-lo com exclusividade, até que vença a patente (ela começa a contar a partir do registro da molécula que dá origem ao medicamento). Depois, o caminho está aberto para a produção de genéricos e os lucros proporcionados pelo remédio caem drasticamente. É, portanto, natural que os fabricantes tenham pressa em lançar um medicamento".

A reportagem aponta que 90% das pesquisas de novos medicamentos são efetuadas pelas indústrias farmacêuticas e que muitos pesquisadores trabalham, paralelamente, para a indústria e para o FDA, o que deixa dúvidas com respeito à confiabilidade destes estudos.

Num país como o Brasil, onde é corrente a prática da auto-medicação e onde, para alguns médicos, a principal fonte de atualização são as informações transmitidas pelos representantes da indústria farmacêutica. esta é uma situação preocupante. "Os problemas existem, mas não se pode demonizar a indústria", diz João Massud Filho, da Unifesp. "Obviamente, há a pesquisa malfeita, mas é impossível prever tudo o que vai acontecer com um medicamento depois que ele chega ao mercado."Nos últimos quarenta anos, a FDA e a Emea, a agência européia de controle de medicamentos, já retiraram 130 remédios do mercado. "É absolutamente normal que alguns problemas surjam somente após o lançamento", diz Gustavo Kesselring, diretor de pesquisa clínica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Embora os estudos clínicos com um medicamento tentem rastrear a totalidade dos seus efeitos adversos, estima-se que 5% deles surjam posteriormente à comercialização. É, antes de mais nada, uma questão de escala. Durante a fase de testes, 10.000 voluntários experimentam a medicação. Depois de sua entrada no mercado, o número de usuários passa a ser de milhões.



Fonte: 3/11/2008 - Veja




Um comentário:

Chris disse...

MIRIAM

Parabéns pelo BLOG.
Muito útil.

bjs

CHRISTIANE